sexta-feira, 28 de março de 2014

Ao sabor da maré



Ao sabor da maré: na paixão, na vida.

Esta semana retomámos inadvertidamente/inocentemente/imprudentemente a temática do futuro.

Pior, enquanto desenhámos planos e soluções para um futuro, subitamente abordámos a temática oposta: 
A temática do não futuro!!! 

Esse misto de mais-valia/bicho papão em simultâneo, desde o primeiro momento!!!

Se eu sei que temos tudo para não ter futuro? 
Sei!
Eu próprio to disse ao telefone. 
Eu sei disso, tu sabes disso, ele sabe disso, nós sabemos disso, vós sabeis disso, eles sabem disso, dá para pronunciar o verbo "saber disso" todo!

Mas... desta vez, nesta fase, incomodou-me voltar ao tema. 
Incomodou-me o suficiente para me preocupar com isso.

Era suposto não incomodar.
Era suposto vivermos o momento enquanto ele merecer a pena, sem projectar demasiado o futuro.
Se é bom, saudável e fazemos por merecer/valer a pena, porque não?!? 
É essa a premissa. Minha e tua.

Pelo meu incómodo, percebo que talvez começasse a sonegar esse pormenor.

Por vezes também me parece que o sonegas tu.
Ao mesmo tempo que planeias e preparas o nosso não futuro, coisa natural e assumida entre nós, falas em planos para o nosso futuro.

Em que ficamos, afinal?!?

Temos vivido o momento, temos passado momentos mágicos e fantásticos!
Adoro-te e sabes disso, adoras-me e eu sei disso!!!
E quando assim é, o que mais se pode pedir?!?
Sem complicações, cobranças ou exigências.

A vida como ela é, os sentimentos genuínos, os momentos intensos, o coração a comandar e a certeza de que se vive algo de muito bom e saudável.

Mas a cada vez que se fala em futuro, inevitavelmente entras no meu esquisso...

Um esquisso ao sabor da maré, portanto...
Ora se desenha, ora se apaga, ora se desenha, ora se apaga... 

Talvez desenhemos com o coração, mas apaguemos com a razão.

Mais vale não desenhar, então!!!
Só se gasta carvão, borracha e papel!
Será?!?

Não sei, mas tem dias que parece, se se pensar na coisa... 
Crias habituação, acabas por projectar no teu subconsciente coisas que no fundo, não fazem sentido num contexto de não futuro.
Nem sempre me apetece desenhar coisas que potencialmente serão para apagar, só isso.

Mas, por outro lado, como não te desenhar se te adoro?!?

Bem, ontem foi um dia menos bom.
Mas hoje não, hoje apetece-me desenhar-te e amar-te, ponto final parágrafo.

A maré está excelente e a praia apetecível, vou até à areia anhar na toalha.
Vens?!? 

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